BLOG DE JOÃO PAIVA

December 5, 2006


O João é meu primo, …é meu amigo, …é meu irmão.
Houve um tempo em que vivemos todos juntos, lá em casa dos meus pais. Ele e o meu irmão, o Vasco, sendo da mesma idade e mais novos do que eu, formavam uma dupla diabólica cujos objectivos eram impedir o Pedro, o meu primo mais novo, de brincar com eles. Outra obsessão desta dupla era, com a ajuda de um banco, mesinha de cabeceira, escadote e sei lá mais o quê alcançar o topo do armário do meu quarto, onde estavam os meus brinquedos…e estraga-los. Era frequente caírem durante o processo, ganhando uns hematomas e umas equimoses, que faziam questão de coleccionar!
O João era um “Granizé”: pequenito, sempre a palrar, sempre a congeminar e sempre a desenhar…Banda Desenhada, onde contava as suas estórias através de personagens muito originais – personificações de hortaliças e vegetais…o puto tinha muita piada e uma criatividade fora do normal.
Crescemos…
O João continuou a criar, primeiramente através do Desenho, depois da Pintura, das Instalações…e agora está rendido ás possibilidades do universo Multimédia. Foi para Hong Kong fazer um Mestrado em Multimédia e criou um Blog, de forma a partilhar connosco as suas experiências…
Para quem tiver curiosidade em conhecer o João e o seu trabalho deixo aqui um Link para o Blog.
   
- http://hkredpanda.blogspot.com

” MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES ” - A ” CONTESTALOGIA “

October 23, 2006

Quando falamos de diferentes Sociedades, na aula de CIM, somos confrontados com a necessidade de reconhecer uma série de Normas especificas, de um determinado Pais ou de uma determinada Religião, como partes integrantes de uma Cultura, por forma, a consciencializar essa realidade tal como ela é. A abstracção, de todos os conceitos e preconceitos naturais da nossa Cultura é, portanto, imprescindível.

Entendo que, de facto, é importante não colidir-mos com as outras culturas quando nos relacionamos com as mesmas, seja de férias, seja em trabalho ou até no, simples, exercício opinativo. Devemos respeitar os outros e as suas regras, libertando-nos dos Tabus, já enraizados pelo processo de sociabilização e enquadrar todos esses hábitos, que nos parecem estranhos, no contexto cultural em questão.

No entanto, para ser honesto, devo referir que há Regras de Conduta de outras Culturas, que por mais que tente, não consigo entender, muito menos respeitar ou até enquadrar contextualmente, nomeadamente as que colidem com o direito à Vida e Liberdade do ser Humano.

Quando recuamos na nossa História verificamos que éramos uns bárbaros: A Monarquia, os Sistemas Feudais, as Cruzadas, a “Santa” Inquisição, as Colonizações do Novo Mundo, o Mapa Cor-de-rosa e a Escravatura foram todas invenções, desumanas, dos Europeus. Desde a Revolução Francesa, a nossa Cultura evoluiu muito em relação aos Direitos Humanos. Não foi uma evolução pacifica, foi uma luta contestatária constante, onde houve derramamento de sangue, mas sem a qual não seríamos o que somos hoje. Actualmente a nossa Cultura continua a ser contestada e, portanto, continua a evoluir, de forma mais pacífica, sem necessidade de grandes Revoluções e Guerras Civis.

Na Era Global já não somos os únicos a Aculturar outras Sociedades…Veja-se que os restaurantes Japoneses, Indianos e Chineses no Ocidente estão, sempre, cheios de Ocidentais.

Certamente há, nas Sociedades menos Democráticas, pessoas com vontade de evoluir Culturalmente. Apesar da contestação, nalguns casos, ainda não ser visível, certamente existe. É nesta perspectiva de Evolução Social, inerentemente, Cultural que apoio as minhas esperanças de vivermos, um dia, num Mundo mais justo, em que o respeito pela condição Humana seja, de facto, um hábito enraizado por todas as culturas.

Assim, o importante é Contestar.

Apesar de ser, propositadamente, “Reaccionária” não resisto a transcrever a coluna “Cartas Abertas", assinada por Sua Excª. o  Comendador Marques de Correia, publicada na Revista Única do semanário Expresso, de 14 de Outubro de 2006:

“ O cânone do contestatário “

“ Meu Caro Magnífico Reitor

Acabo de descobrir uma lei da ciência, embora das ciências humanas, que merece um registo, senão até uma tese inteira, ou mesmo uma cátedra. Esta lei baseia-se em premissas observadas e comprovadas cientificamente e pode ser resumida, como quase todas as leis, a uma equação simples que eu descreveria, compactamente, da seguinte forma:

C = OC (niq)+A(nisc)

Onde C significa o contestatário; OC está por objecto da contestação; e A corresponde a argumento.

Assim, podemos descrever a fórmula do seguinte modo: Contestatário igual a Objecto de Contestação ( não importa qual ) mais Argumento ( não interessa se contraditório ).

À primeira vista, isto pode não parecer qualquer avanço científico. Porém, se analisarmos melhor o problema, chegamos à conclusão de que o contestatário não depende daquilo que está a contestar, mas sim do facto de querer contestar.

Nos tempos que me dediquei ao trabalho de campo descobri vários exemplos práticos e retirei diversas conclusões. Certos casos ocorrem imediatamente. Veja-se o seguinte:

Um contestatário, por norma, opõe-se à tradição religiosa de uma dada comunidade. É o caso dos contestatários do Sul da Europa em relação ao catolicismo. Porém, esse mesmo contestatário, no geral, defende que se respeite escrupulosamente as tradições religiosas de outras latitudes, porque essa é a forma mais simples de contestar a sociedade em que vive.

Outro ponto: um contestatário é, no geral, contra o casamento. Acha que a instituição é burguesa, ultrapassada, sem nenhum significado jurídico e menos significado emocional. Porém, o mesmo contestatário é um feroz adepto do casamento se este for entre homossexuais. Nesse caso, acha-o um direito inalienável. Mais: acha que o termo casamento é a palavra exacta, o registo jurídico insubstituível e o logos emocional preciso para designar a união de dois seres.

O mesmo se passa, grosso modo, em relação à autoridade. O contestatário, no geral, acha a autoridade a raiz dos maiores problemas do mundo. Não só o excesso de autoridade é verberado como qualquer autoridade é criticada. Porém, qualquer lei que retire um pouco de autoridade a um dado grupo social é igualmente alvo da maior contestação por parte do contestatário.

É por isso que o contestatário da minha fórmula é igual ao objecto da contestação. Ou seja, ele está onde há contestação a um determinado assunto, sendo que essa contestação utiliza argumentos que no geral são contraditórios com outros utilizados pelo contestatário.

Significa isto, em termos gerais, que existe um «Cânone do Contestatário», um método que se vai repetindo independentemente do que fazem ou deixam de fazer os contestatários. Vista a essa luz, a contestação é inerente, intrínseca. E a sua hermenêutica, a sua interpretação, passa a ser feita à luz desta fórmula. E assim vai nascendo a Contestatologia, ou a nova ciência que estuda a contestação.”

VIVA A CONTESTAÇÃO! VIVA O CONTESTATÁRIO! VIVA A "CONTESTALOGIA" – DIGO EU

” O MARKETING DA NOSTALGIA “

October 22, 2006

Numa Época em que tudo foi inventado e depois reinventado e a população está a envelhecer, reparo que o meu grupo de amigos é jovem cada vez mais tempo. Durante as nossas conversas informais lá se ouve alguém referir que ontem á noite o “Twins“, o “Bela Cruz“ ou o “Estado Novo” estava  “muito bom…cheio de malta jovem da nossa idade” (30 a 40 anos) não havendo paciência para aturar aquelas Noites de Fim do Mês ou de fim de Período Lectivo em que “é só Putos” (18 a 30 anos). Conclui-se que as ditas Noites repletas de “Putos” são cada vez mais frequentes…será que, agora, há vários Fins do Mês ou os Períodos Lectivos só têm uma semana ?
Bom, lembro-me que há 10 anos a conversa era a mesma as idades é que eram diferentes: A malta jovem tinha entre 20 e 30 anos e os Putos tinham entre 15 a 20 !
Estamos a ficar velhos e não há quem dê conta? Ninguém assume?…Não, ninguém está a ficar velho, a esperança de vida é cada vez maior e a malta gosta de sair à noite e no fim ir tomar o pequeno almoço ao amanhecer, vestir Roupa da Moda, acordar tarde e falar sobre a “curte” da noite anterior: da Musica: …”até passou Simple Minds”; do Ambiente muito In: "...a Gaja lá do Escritório que estava, para lá, de muito boa",  do "Director lá da Empresa que com os copos é um Gajo porreiro!"…há dez 10 anos a conversa era a mesma, as personagens é que mudavam…
Não crescemos, não queremos crescer e não se fala mais nisso…ponto final paragrafo!
Bem me lembro do último presente de Natal dos meus cunhados: A colecção de todos os episódios do “Verão Azul“ em DVD…Adorei. A veneração pela colecção de discos de Vinil do Paulo Rogério; Os casacos de Ganga, as T-Shirts dos Xutos e os Lenços vermelhos que se amarravam no pulso…tudo devidamente guardado em casa dos meus pais ( lá em casa a Patroa não vai em Nostalgias ). 
Na Sexta Feira passada, enquanto almoçava, passei os olhos pela revista do JN do mesmo dia…e lá estava “ Batata Cerqueira Gomes, O Marketing da Nostalgia”. O Batata, homem da Noite, dos Eventos e agora, outra vez, do “TWINS” referia ter uma grande colecção de fotografias das festas de antigamente e que as espalhou pelas paredes do Templo Noturno, inclusivamente das casas de banho. Após resumo das suas actividades refere: “ …a nostalgia é uma coisa que mexe muito com as pessoas e, ao mesmo tempo é marketing “.
A Nostalgia é Marketing !?...Bom, o importante é identificar mais um Nicho de Mercado em crescimento: A Malta “jovem” Nostálgica, que daqui a 10 anos vai continuar “jovem” e muito, provavelmente, mais Nostálgica.
A Nostalgia vende. 

O BLOG

A Execução deste  Blog faz parte da Estrutura Curricular da Disciplina de Investigação e Métodos de Pesquisa do Curso Superior de Gestão de Marketing do IPAM. O intuito, segundo o Dr. Jorge Remondes – Docente da Disciplina,  será ter um sitio onde se possa colocar todas as informações a que tenhamos acesso, por forma a que possamos partilha-las com os colegas e nos ajude nos Trabalhos de Investigação que teremos de produzir no âmbito deste Curso.
Tentarei, também, publicar textos de opinião sobre os diversos temas abordados nas aulas, bem como, algum tema que me suscite especial atenção ou curiosidade. Assim, desejo que todos os colegas e possíveis frequentadores deste Blog tenham paciência e façam o favor de me aturar.